sexta-feira, 31 de maio de 2013

Pastor, o que é prioridade no teu ministério?


AS PRIORIDADES DO MINISTÉRIO PASTORAL
ATOS 6.4

            Há coisas que inquietam o coração de um pastor. Uma delas é sua própria consciência lhe acusando por não ter cumprido, em algum ponto, seu dever ministerial. Sua alma fica atribulada quando não sobrou tempo para estudar melhor o sermão, ou porque não pôde visitar a família de um irmão da igreja, ou porque está negligenciando no seu tempo de oração, ou porque não conseguiu aplicar a administração eclesiástica, ou porque não evangelizou um vizinho descrente, ou porque não encontrou tempo para atender em seu gabinete e aconselhar um jovem com dificuldades. Além disso, tem problemas de relacionamentos que precisam ser resolvidos, têm constantes reformas no prédio da igreja. Sem esquecer que pastor também é gente e tem uma família, tem problemas e necessidades a serem supridas. Estas atividades pastorais eram mais fáceis de cumpri-las, no entanto, com o aumento do numero de irmãos na igreja, com o advento do ativismo e materialismo não há facilidade. As necessidades do rebanho se intensificam e o pastor não consegue fazer nem uma coisa nem outra, pois se ocupa com muitas coisas sem saber priorizar o essencial.  Certamente, seria menos danoso se, tanto o pastor quanto o rebanho, soubesse exercer suas atividades numa escala de prioridades.
            Devemos tomar muito cuidado em definir essas prioridades. No contexto atual, temos ouvido que devemos priorizar pessoas em detrimento de qualquer outra coisa. É verdade que pessoas devem ter prioridade no lugar de eventos, de prédios, de dinheiro, de reuniões ou qualquer outra coisa que lhe tire a importância. Porém, devemos ter cautela e procurar definirmos nossas prioridades segundo as Sagradas Letras descobrindo o que Deus requer prioritariamente como atividade pastoral. 
1.      VISITAS PASTORAIS:
Muitas pessoas precisam de uma visita em sua casa. As pessoas estão carentes de uma palavra pastoral entregue em domicílio. Elas não precisam de seus pastores apenas no templo, mas carecem deles em suas próprias casas. Muitos pastores já perderam o ministério de uma igreja porque os membros dizem: “ele não me visitava”. Muitos pastores já deixaram de ser contratados por que não têm a prática constante de visitar. As pessoas estão sofrendo e não têm oportunidade de expressarem isso no culto público diante de todos. Elas precisam de uma conversa pessoal com o pastor. Foi Richard Baxter quem disse:
“Seu objetivo é ser eficiente no ministério com as famílias. Portanto, procurem informar-se sobre como cada família está organizada, e como Deus é adorado ali. Visitem as famílias quando elas estão desfrutando lazer e procurem ver se o chefe da família ora em seu lar, ler as Escrituras, presta culto doutras maneiras”.
            O maior exemplo que temos é Jesus. Ele é o Supremo Pastor (1Pe 5.4), Ele o Bom Pastor (Jo 10.11,14), Ele é o Grande Pastor (Mq 5.4; Hb 13.20), Ele conhece suas ovelhas (Jo 10.3,16,27), Ele as guia (Jo 10.3-4), Ele as alimenta (Jo 10.9; 1Pe 2.25), Ele as protege e preserva (Jo 10.28), Ele deu a vida por elas (Zc 13.7; Mt 26.31; At 20.28), Ele concede-lhes a vida eterna (Jo 10 28). Ele visitava as pessoas indo a suas casas para ajuda-las em suas necessidades (Mc 1.29-31; Mt 8.14,15).  Jesus tinha prazer em atender às necessidades das pessoas (Mc 1.32-34). Ele procurava atender às pessoas sempre que pudesse. Os apóstolos também seguiram o exemplo de Cristo nisso (Rm 12.13).
            Mas, seria esta a prioridade de Jesus e dos apóstolos? Não. Apesar da importância das visitações e do cuidado com as necessidades do povo, esta não deve ocupar o maior valor no ministério.
2.      ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA
O que dizer da administração eclesiástica? Certamente, não podemos viver em desordem. Ninguém sobrevive em uma instituição que está à beira do caos. A igreja precisa ser bem presidida. O pastor deve administrar com equidade a Casa de Deus. A igreja necessita de um bom administrador, de alguém que organize os departamentos, planeje as programações, execute as normas e decisões. O pastor deve ser conhecedor dos documentos administrativos da sua denominação.  Porém, essa também não é e nem deve ser a maior prioridade no ministério pastoral.
3.      PREGAÇÃO DA PALAVRA
Pastor, você já leu Marcos 1.38? Certamente sim. E, Atos 6.2-4? Obvio que sim. Estes versículos não estão isolados na Bíblia. Eles demonstram a prioridade pastoral diante das imensas necessidades. Convenhamos que costumeiramente nos embaraçamos com muitas coisas e deixamos o mais importante por último. Então, aplique-se na preparação e exposição dos sermões. Eles é que darão vida ao rebanho. Nos tempos difíceis prometidos por Paulo (2Tm 3), a ordem foi: “prega a Palavra” (2Tm 4.2). Ensine, evangelize, pregue a crentes e descrentes. Mostre Cristo, exponha Cristo aos outros.
4.      ORAÇÃO
Precisamos de uma nova definição para a utilidade de nossos quartos, que não o de, somente, dormir. Pois Mateus 6:6 diz: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai,...” Precisamos clamar ao Pai pelo seu Espírito Santo (Lc 11.13). O culto de oração tem sido pouco frequentado pelos crentes da igreja, no entanto, tem sido também mal enfatizado. Charles Spurgeon disse: “ Meios sem oração - presunção! Oração sem meios - hipocrisia!” Podemos utilizar métodos, mas sem oração é ineficaz. Ele diz em outro lugar, que a “oração muitas vezes se torna na própria resposta desejada, pois Deus, enquanto vocês vão derramando a alma, pode fazer com que a sua oração seja um martelo capaz de quebrantar o coração que meras preleções jamais conseguem tocar”. E ele continua: “... é preciso haver oração - muita oração, oração constante, veemente, oração... como a de Lutero, a qual ele chamava de bombardeio do céu. Isso equivale a colocar um canhão apontado para as portas do céu para abri-las a tiros, pois assim triunfam na oração os homens fervorosos. Não saem de diante do propiciatório enquanto não possam bradar com Lutero: “Vici”, ou seja, “Venci, conquistei a bênção pela qual me empenhei”.(Lc. 18:1-8). Não quero, nem devo, estipular quantas vezes ou em que posição ou lugar o crente deve orar para ter um avivamento. Mas basta dizer que ore sinceramente ao Deus Verdadeiro. Nesta oração reconheça quem você é, quem é Deus e o que Ele pode fazer, isto é ore a Bíblia, não meramente suas letras, mas seus ensinos.
Conclusão:
É bom lembrar-se da admoestação de Paulo ao jovem Timóteo: “Cuida de ti mesmo...”. Um obreiro descuidado de sua própria vida é uma verdadeira calamidade. Antes de ser um pastor, devemos ser um crente verdadeiro. Um pastor não convertido é a disgra de uma igreja. Mark Dever diz que os pastores  falsos são contratados por crentes falsos. Isso acontece porque quem não é crente de verdade não quer ser pastoreado de verdade nem pela verdade. Ele se alimenta de lixo e não de pastos verdes! Portanto, cuidemos primeiramente de nós mesmos, de nossas famílias e da doutrina da Palavra de Deus!