AS PRIORIDADES DO MINISTÉRIO PASTORAL
ATOS 6.4
Há
coisas que inquietam o coração de um pastor. Uma delas é sua própria
consciência lhe acusando por não ter cumprido, em algum ponto, seu dever
ministerial. Sua alma fica atribulada quando não sobrou tempo para estudar
melhor o sermão, ou porque não pôde visitar a família de um irmão da igreja, ou
porque está negligenciando no seu tempo de oração, ou porque não conseguiu aplicar
a administração eclesiástica, ou porque não evangelizou um vizinho descrente,
ou porque não encontrou tempo para atender em seu gabinete e aconselhar um
jovem com dificuldades. Além disso, tem problemas de relacionamentos que
precisam ser resolvidos, têm constantes reformas no prédio da igreja. Sem
esquecer que pastor também é gente e tem uma família, tem problemas e
necessidades a serem supridas. Estas atividades pastorais eram mais fáceis de
cumpri-las, no entanto, com o aumento do numero de irmãos na igreja, com o
advento do ativismo e materialismo não há facilidade. As necessidades do
rebanho se intensificam e o pastor não consegue fazer nem uma coisa nem outra,
pois se ocupa com muitas coisas sem saber priorizar o essencial. Certamente, seria menos danoso se, tanto o
pastor quanto o rebanho, soubesse exercer suas atividades numa escala de
prioridades.
Devemos
tomar muito cuidado em definir essas prioridades. No contexto atual, temos
ouvido que devemos priorizar pessoas em detrimento de qualquer outra coisa. É
verdade que pessoas devem ter prioridade no lugar de eventos, de prédios, de
dinheiro, de reuniões ou qualquer outra coisa que lhe tire a importância.
Porém, devemos ter cautela e procurar definirmos nossas prioridades segundo as
Sagradas Letras descobrindo o que Deus requer prioritariamente como atividade
pastoral.
1. VISITAS
PASTORAIS:
Muitas pessoas precisam de uma
visita em sua casa. As pessoas estão carentes de uma palavra pastoral entregue
em domicílio. Elas não precisam de seus pastores apenas no templo, mas carecem
deles em suas próprias casas. Muitos pastores já perderam o ministério de uma
igreja porque os membros dizem: “ele não me visitava”. Muitos pastores já
deixaram de ser contratados por que não têm a prática constante de visitar. As
pessoas estão sofrendo e não têm oportunidade de expressarem isso no culto
público diante de todos. Elas precisam de uma conversa pessoal com o pastor. Foi
Richard Baxter quem disse:
“Seu objetivo é ser eficiente no ministério com as famílias. Portanto,
procurem informar-se sobre como cada família está organizada, e como Deus é
adorado ali. Visitem as famílias quando elas estão desfrutando lazer e procurem
ver se o chefe da família ora em seu lar, ler as Escrituras, presta culto
doutras maneiras”.
O maior exemplo que temos é Jesus. Ele
é o Supremo Pastor (1Pe 5.4), Ele o Bom Pastor (Jo 10.11,14), Ele é o Grande
Pastor (Mq 5.4; Hb 13.20), Ele conhece suas ovelhas (Jo 10.3,16,27), Ele as
guia (Jo 10.3-4), Ele as alimenta (Jo 10.9; 1Pe 2.25), Ele as protege e
preserva (Jo 10.28), Ele deu a vida por elas (Zc 13.7; Mt 26.31; At 20.28), Ele
concede-lhes a vida eterna (Jo 10 28). Ele visitava as pessoas indo a suas
casas para ajuda-las em suas necessidades (Mc 1.29-31; Mt 8.14,15). Jesus tinha prazer em atender às necessidades
das pessoas (Mc 1.32-34). Ele procurava atender às pessoas sempre que pudesse. Os
apóstolos também seguiram o exemplo de Cristo nisso (Rm 12.13).
Mas, seria esta a prioridade de
Jesus e dos apóstolos? Não. Apesar da importância das visitações e do cuidado
com as necessidades do povo, esta não deve ocupar o maior valor no ministério.
2. ADMINISTRAÇÃO
ECLESIÁSTICA
O que dizer da administração eclesiástica? Certamente, não podemos viver
em desordem. Ninguém sobrevive em uma instituição que está à beira do caos. A
igreja precisa ser bem presidida. O pastor deve administrar com equidade a Casa
de Deus. A igreja necessita de um bom administrador, de alguém que organize os
departamentos, planeje as programações, execute as normas e decisões. O pastor
deve ser conhecedor dos documentos administrativos da sua denominação. Porém, essa também não é e nem deve ser a
maior prioridade no ministério pastoral.
3. PREGAÇÃO DA
PALAVRA
Pastor, você já leu Marcos 1.38? Certamente sim. E, Atos 6.2-4? Obvio que
sim. Estes versículos não estão isolados na Bíblia. Eles demonstram a
prioridade pastoral diante das imensas necessidades. Convenhamos que
costumeiramente nos embaraçamos com muitas coisas e deixamos o mais importante
por último. Então, aplique-se na preparação e exposição dos sermões. Eles é que
darão vida ao rebanho. Nos tempos difíceis prometidos por Paulo (2Tm 3), a
ordem foi: “prega a Palavra” (2Tm 4.2). Ensine, evangelize, pregue a crentes e
descrentes. Mostre Cristo, exponha Cristo aos outros.
4. ORAÇÃO
Precisamos de uma nova definição para a utilidade de nossos quartos, que
não o de, somente, dormir. Pois Mateus 6:6 diz: “Tu, porém, quando orares,
entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai,...” Precisamos clamar
ao Pai pelo seu Espírito Santo (Lc 11.13). O culto de oração tem sido pouco
frequentado pelos crentes da igreja, no entanto, tem sido também mal
enfatizado. Charles Spurgeon disse: “ Meios sem oração - presunção! Oração sem
meios - hipocrisia!” Podemos utilizar métodos, mas sem oração é ineficaz. Ele
diz em outro lugar, que a “oração muitas vezes se torna na própria resposta
desejada, pois Deus, enquanto vocês vão derramando a alma, pode fazer com que a
sua oração seja um martelo capaz de quebrantar o coração que meras preleções
jamais conseguem tocar”. E ele continua: “... é preciso haver oração - muita
oração, oração constante, veemente, oração... como a de Lutero, a qual ele
chamava de bombardeio do céu. Isso equivale a colocar um canhão apontado para
as portas do céu para abri-las a tiros, pois assim triunfam na oração os homens
fervorosos. Não saem de diante do propiciatório enquanto não possam bradar com
Lutero: “Vici”, ou seja, “Venci, conquistei a bênção pela qual me
empenhei”.(Lc. 18:1-8). Não quero, nem devo, estipular quantas vezes ou em que
posição ou lugar o crente deve orar para ter um avivamento. Mas basta dizer que
ore sinceramente ao Deus Verdadeiro. Nesta oração reconheça quem você é, quem é
Deus e o que Ele pode fazer, isto é ore a Bíblia, não meramente suas letras, mas
seus ensinos.
Conclusão:
É bom
lembrar-se da admoestação de Paulo ao jovem Timóteo: “Cuida de ti mesmo...”. Um
obreiro descuidado de sua própria vida é uma verdadeira calamidade. Antes de
ser um pastor, devemos ser um crente verdadeiro. Um pastor não convertido é a
disgra de uma igreja. Mark Dever diz que os pastores falsos são contratados por crentes falsos.
Isso acontece porque quem não é crente de verdade não quer ser pastoreado de
verdade nem pela verdade. Ele se alimenta de lixo e não de pastos verdes!
Portanto, cuidemos primeiramente de nós mesmos, de nossas famílias e da
doutrina da Palavra de Deus!
Muto bom, obrigado querido Pastor!
ResponderExcluirDeus abençoe sua vida, família e ministério querido colega!
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